Augusto senkte den Blick.
Ich sah ihn an.
– Stimmt das?
Der grauhaarige Wachmann blieb regungslos.
— Augusto — sagte ich.
Er holte tief Luft.
— Deine Mutter hat mich gebeten, mit Helena zu sprechen.
– Um zu reden?
Ich war für die Sicherheit des Unternehmens zuständig. Sie drohte, bei einer Familienfeier aufzutauchen.
— Und was hast du getan?
Ich habe getan, was mir gesagt wurde.
Camila ging auf ihn zu.
— Du bist in das Haus meiner Mutter eingedrungen, hast ihr das Telefon aus der Hand gerissen und alle Dokumente mitgenommen, die sie über Eduardo besaß.
Ich wusste nicht, dass sie krank war.
Sie starb zwei Jahre später.
Ihre Stimme versagte zum ersten Mal.
Mein Vater fuhr sich mit der Hand übers Gesicht.
Helena starb, weil sie nicht auf sich selbst geachtet hat.
Camila blickte auf.
Sie starb in dem Glauben, dass du dich für mich schämtest.
Da verstand ich, warum sie der Heirat zugestimmt hatte.
Es ging nicht nur um Geld. Es ging nicht nur um Rache.
Camila war in diese Familie eingedrungen, um herauszufinden, ob Eduardo Vasconcelos noch bei Bewusstsein war.
Und ich war die einzige Person, die sie nicht treffen wollte.
„Du bist näher an mich herangekommen, um zu ihm zu gelangen“, sagte ich.
– Ja.
Die Antwort war so direkt, dass sie mehr schmerzte als eine Lüge.
— Und was war sonst noch eine Lüge?
Sie presste die Lippen zusammen.
— Am Anfang fast alles.
Unsere Hochzeit?
Es begann mit Verhandlungen.
— Und was dann?
Camila desviou os olhos.
— Depois você começou a me tratar como alguém que tinha o direito de escolher. Você me perguntou se eu queria aquela casa. Se eu queria assinar o contrato. Se eu queria ter meu próprio dinheiro. Você foi a primeira pessoa da sua família a me perguntar alguma coisa sem já ter decidido a resposta.
Eu ri sem humor.
— Isso não responde.
— Eu me apaixonei por você.
As palavras ficaram entre nós como uma janela quebrada.
Meu pai aproveitou o silêncio.
— Está vendo? Ela sabe exatamente o que dizer. Essa mulher entrou aqui para dividir você contra nós.
— Não — respondi. — Vocês fizeram isso muito antes de ela chegar.
Eduardo se aproximou.
— Você está prestes a destruir tudo por uma mulher que conheceu numa padaria.
— Não foi você que me ensinou que uma família é construída com contratos?
Ele ficou parado.
Lembrei-me do aniversário, da ameaça, das reuniões com mulheres escolhidas por minha mãe, dos documentos de sucessão prontos antes mesmo de eu terminar o jantar. Toda a minha vida tinha sido uma longa negociação. Meu pai decidia quanto afeto eu merecia. Minha mãe decidia com quem eu deveria sorrir.
Camila não tinha sido a primeira pessoa a usar uma mentira comigo.
Ela apenas foi a primeira a admitir.
— Quero saber toda a verdade — falei.
Beatriz apertou a bolsa contra o corpo.
— Você não tem esse direito.
— Tenho, sim. Sou filho dele. E, aparentemente, sou marido da filha que ele abandonou.
— Vocês não são casados de verdade — minha mãe disparou.
A frase caiu no centro da sala.
Camila ficou imóvel.
Eu me virei para ela.
— O que ela quis dizer?
Minha mãe percebeu que tinha revelado mais do que devia.
Camila fechou os olhos por um instante.
— O casamento civil foi registrado — disse ela. — Mas a cerimônia teve um problema.
— Que problema?
— O cartório recebeu uma ordem para suspender a validação do registro até a conferência dos documentos.
— Quem deu essa ordem?
Ninguém respondeu.
Olhei para Augusto.
Ele fechou os olhos.
— Seu pai — disse.
Meu estômago afundou.
— Então nós não somos casados?
— Legalmente, não ainda — Camila respondeu. — O celebrante assinou, nós assinamos, mas o processo ficou retido.
— E você sabia?
— Descobri há dois dias.
— Por que não me contou?
— Porque eu não sabia se a retenção tinha sido feita antes ou depois da nossa cerimônia. E porque eu precisava recuperar a caixa antes que eles a destruíssem.
— A caixa estava com você há quanto tempo?
— Desde o dia em que minha mãe morreu.
Camila tocou o selo metálico.
— Ela deixou tudo comigo. O documento, a fotografia e o selo original da empresa. Disse que, se um dia eu quisesse saber a verdade, deveria procurar o homem que usava esse símbolo.
Meu pai levou a mão ao peito.
— Esse selo desapareceu em 1990.
— Não desapareceu. Foi retirado da casa da minha mãe por Augusto e entregue à sua esposa.
Todos olharam para Beatriz.
Ela não negou.
Apenas disse:
— Eu fiz o que precisava ser feito para proteger meu casamento.
— Seu casamento já existia? — perguntei.
Beatriz olhou para Eduardo.
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